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Gestão de Pessoas

OKR ou KPI: qual escolher na sua empresa em 2026?

Definições com fonte, exemplos de RH com cálculo e um jeito simples de fazer indicador e meta ousada trabalharem juntos numa PME.

Equipe Benway

Publicado em · 11 min de leitura

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Resposta rápida

Escolha o KPI se quer acompanhar a saúde de algo que já funciona, como turnover e absenteísmo, todo mês e sem prazo para acabar. Escolha o OKR se quer mudar um resultado em um trimestre, com um objetivo e de 3 a 5 resultados-chave. Os dois convivem: o KPI mostra onde agir; o OKR organiza a mudança.

Neste artigo · 7 seções

OKR e KPI aparecem juntos em quase toda conversa sobre metas, e muita empresa usa um nome pelo outro. A confusão tem custo. O time acompanha muitos números e ninguém sabe qual deles precisa mudar, ou define metas ousadas sem medir o básico.

Esta comparação é para quem cuida de RH, de operação ou da gestão de uma empresa pequena ou média. O que decide a escolha é a pergunta que você quer responder. "Isso está saudável?" pede um KPI. "O que vamos mudar neste trimestre?" pede um OKR. Os exemplos usam indicadores de RH, como turnover, absenteísmo e tempo de contratação.

CritérioOKRKPI
O que éObjectives and Key Results: um objetivo e de 3 a 5 resultados-chave mensuráveisKey Performance Indicator: indicador-chave de desempenho, um número acompanhado ao longo do tempo
O que medeA mudança que a empresa quer provocarA saúde de um processo que já existe
HorizonteEm geral, um trimestreContínuo, mês a mês
Quantos por vezNo Google, de 3 a 5 objetivos, com cerca de 3 resultados-chave cadaPoucos por área, cada um com fórmula, fonte de dados e meta
Meta esperadaAmbiciosa: no Google, nota média de 0,6 a 0,7 é o ponto certoMeta com finalidade, valor e prazo, como orienta o guia da Enap
Ligação com remuneraçãoSeparado da remuneração e da avaliação individualPode embasar a PLR, que aceita índices de produtividade e programas de metas (Lei 10.101/2000)
OrigemAndy Grove, na Intel; John Doerr levou ao GoogleGestão por indicadores; o guia da Enap (2021) organiza o método no setor público
Exemplo no RH"Fazer quem entra querer ficar", com resultados sobre saídas nos primeiros 90 diasTurnover, absenteísmo, tempo de contratação, eNPS
Como ler o resultadoNota de 0 a 1 em cada resultado-chave no fim do cicloComparar com a meta e com a tendência; saber se o indicador é "maior-melhor" ou "menor-melhor"
Erro comumVirar lista de tarefasNúmero sem fórmula escrita, que cada mês é calculado de um jeito
Como a Benway ajudaNão tem módulo de OKRDashboard do RH com turnover, absenteísmo, eNPS e clima calculados do cadastro, da folha e das pesquisas
Consulta em 24/10/2026. Fontes: Google re:Work, What Matters (John Doerr), Enap (Guia referencial para construção e análise de indicadores, 2021), Lei 10.101/2000 e calculadoras da Benway.

Quando escolher o OKR?

Escolha o OKR quando você quer mudar um resultado em pouco tempo e precisa que o time inteiro puxe para o mesmo lado. Ele serve para prioridades, não para acompanhar a rotina.

O método tem origem em Andy Grove, na Intel. Segundo o guia de OKRs do Google, Grove resumiu a ideia no livro High Output Management em duas perguntas. Aonde eu quero chegar? Como vou medir se estou chegando? A primeira resposta é o objetivo; a segunda, os resultados-chave.

John Doerr aprendeu o método com Grove e conta, no site What Matters, que o apresentou aos fundadores do Google em 1999. O guia do Google registra que a empresa começou a testar os OKRs no início de 2000. Hoje o Google define OKRs por ano e por trimestre.

  • Há uma mudança clara a fazer: reduzir saídas de quem acabou de entrar, contratar mais rápido para uma área nova, melhorar a integração.
  • O prazo é curto: o ciclo típico é de um trimestre, com nota no fim e revisão no meio.
  • O time precisa de foco: poucos objetivos por vez, porque mais do que isso espalha o esforço, segundo o Google.
  • A meta pode ser ousada: atingir 60% a 70% já é bom resultado, e errar o alvo vira dado para o próximo ciclo.
  • Todo mundo pode ver: os OKRs são públicos dentro da empresa, para cada área saber o que a outra persegue.

Se você nunca montou um OKR, veja antes o que é OKR e como implementar na empresa. Este texto foca na diferença para o KPI.

Quando escolher o KPI?

Escolha o KPI quando você precisa saber, todo mês, se algo que já funciona continua saudável. O KPI não tem data para acabar: ele avisa quando um número sai da faixa esperada.

Na definição citada pelo guia de indicadores da Enap, indicador é uma medida "dotada de significado particular". Ele capta as informações relevantes do que se observa. O KPI é o indicador que a empresa escolheu como chave, porque acompanha algo que pesa no resultado.

  • O processo já existe: folha, recrutamento, férias e atendimento ao time rodam todo mês e precisam de um termômetro.
  • Você precisa comparar no tempo: o KPI só ganha sentido com histórico, mês a mês, com a mesma fórmula.
  • Há meta definida: o guia da Enap diz que todo indicador de desempenho deve ter meta, com finalidade, valor e prazo.
  • O número sustenta uma decisão: custo da folha, horas extras e absenteísmo orientam orçamento e escala.
  • Há acordo de PLR: a Lei 10.101/2000 permite usar índices de produtividade, qualidade ou lucratividade e programas de metas como critério.

O KPI tem um limite conhecido. O próprio guia da Enap lembra que indicadores são representações imperfeitas e transitórias. Por isso, vale revisar de tempos em tempos se eles ainda medem o que importa.

Qual a diferença entre OKR e KPI na prática?

O KPI mede a saúde; o OKR mede a mudança. O site What Matters, de John Doerr, resume assim: KPIs são medidas de saúde, e OKRs são medidas para mudança.

Na prática, a diferença aparece em quatro pontos.

  1. Tempo: o KPI é acompanhado sem prazo para acabar; o OKR vale por um ciclo, em geral um trimestre.
  2. Ambição: a meta do KPI deve ser alcançável; o OKR pode ser ousado. O guia de OKRs do Google diz que nota média de 0,6 a 0,7 é o ponto certo. Bater tudo sempre indica metas tímidas.
  3. Quantidade: o KPI cobre o essencial de cada processo; o OKR escolhe poucas prioridades. O Google usa de 3 a 5 objetivos, com cerca de 3 resultados-chave cada.
  4. Dinheiro e avaliação: o What Matters afirma que os OKRs são separados da remuneração. O Google diz que eles não equivalem à avaliação de desempenho. Já um KPI pode entrar num acordo de PLR.

O que os dois têm em comum é a exigência de número. Um resultado-chave precisa ser medível, assim como o KPI. Muitas vezes, o resultado-chave de um OKR é justamente um KPI que precisa sair de onde está.

Quais KPIs de RH acompanhar e como calcular?

Comece por três: turnover, absenteísmo e tempo de contratação. Os três são fáceis de calcular com dados que a empresa já tem e respondem às perguntas mais comuns da gestão do time.

Não existe fórmula oficial de turnover para empresas. O que importa é escrever a conta, usar sempre a mesma e dizer qual é. As fórmulas abaixo são as que as calculadoras e planilhas da Benway usam.

KPIFórmulaLeitura
Turnover((admissões + desligamentos) ÷ 2) ÷ quadro médio × 100Menor-melhor; mostra a renovação do time
Taxa de desligamentodesligamentos ÷ quadro médio × 100Menor-melhor; mostra quanto o time perdeu
Turnover voluntáriopedidos de demissão ÷ quadro médio × 100Menor-melhor; mostra quem escolheu sair
Absenteísmohoras perdidas ÷ horas planejadas × 100Menor-melhor; mostra o tempo de trabalho perdido
Tempo de contrataçãomédia de dias entre a abertura da vaga e o aceite da propostaMenor-melhor, sem perder qualidade na escolha

Exemplo de cálculo com números de um ano.

  1. Quadro médio: 40 pessoas no início e 44 no fim dão (40 + 44) ÷ 2 = 42.
  2. Turnover: 12 admissões e 8 desligamentos dão ((12 + 8) ÷ 2) ÷ 42 × 100 = 23,81%.
  3. Taxa de desligamento: 8 ÷ 42 × 100 = 19,05%.
  4. Turnover voluntário: 5 pedidos de demissão ÷ 42 × 100 = 11,90%.
  5. Absenteísmo: 20 pessoas perderam 1.079,8 de 42.484,8 horas planejadas no ano: 1.079,8 ÷ 42.484,8 × 100 = 2,54%.
  6. Tempo de contratação: três vagas fechadas em 25, 32 e 41 dias dão (25 + 32 + 41) ÷ 3 = 32,7 dias.

Os números de turnover e absenteísmo são os exemplos das calculadoras da Benway; o tempo de contratação é ilustrativo.

Para ver outros indicadores que fazem sentido numa empresa pequena, veja os KPIs de RH mais importantes para PME. O cuidado é não medir demais: cada KPI precisa de alguém que olhe e aja quando ele mudar.

Como OKR e KPI convivem?

O KPI mostra onde está o problema; o OKR organiza o esforço para resolver. Quando um KPI sai da faixa, ele vira candidato a objetivo do próximo trimestre.

Depois do ciclo, o OKR acaba e o KPI continua. Se a mudança deu certo, o KPI volta para a faixa e passa a ser só acompanhado. Se não deu, o problema pode voltar como objetivo no ciclo seguinte, com resultados-chave diferentes.

Exemplo: do KPI ao OKR no RH. A empresa do cálculo acima vê que 5 das 8 saídas do ano foram pedidos de demissão, um turnover voluntário de 11,90%. Na conversa de saída, várias pessoas citam a integração.

  • Objetivo do trimestre: fazer quem entra querer ficar.
  • Resultado-chave 1: nenhum pedido de demissão até o 90º dia entre as pessoas admitidas no trimestre. Atingido: nota 1,0.
  • Resultado-chave 2: nota média de 8 ou mais na pesquisa de integração aos 30 dias. A média ficou em 7: nota 0,5.
  • Resultado-chave 3: 5 de 5 pessoas novas com conversa de 60 dias registrada com o gestor. Foram 3 de 5: nota 0,6.
  • Nota do objetivo: (1,0 + 0,5 + 0,6) ÷ 3 = 0,7. Fica dentro da faixa de 0,6 a 0,7 que o Google considera o ponto certo.
  • O KPI que continua: o turnover voluntário segue no painel todo mês, depois que o OKR acabou.

Repare que nenhum resultado-chave é tarefa, como "criar um manual de integração". O Google alerta que OKR não é lista de tarefas: ele descreve o impacto, e o time escolhe como chegar lá. Para montar as pesquisas e planilhas do exemplo, há modelos prontos em materiais gratuitos de RH.

Quanto custa adotar OKR e KPI?

Nenhum dos dois exige licença: OKR e KPI são métodos, e dá para começar numa planilha. O custo real é o tempo de definir, medir e revisar.

No KPI, o tempo vai para juntar os dados todo mês e conferir se a fórmula foi a mesma. No OKR, vai para as reuniões de definição, a conversa no meio do trimestre e a nota no fim. O Google descreve reuniões trimestrais para dar nota e definir os OKRs seguintes.

Ferramentas de mercado para OKR e painéis de indicadores cobram de formas diferentes. Compare o preço publicado de cada uma. Veja também se a ferramenta lê os dados que você já tem, para não digitar o mesmo número duas vezes.

Para uma empresa pequena, a planilha resolve no começo. O ponto de virada é quando calcular os KPIs à mão toma horas todo mês. Outro sinal é cada pessoa chegar à reunião com um número diferente para o mesmo indicador. Nessa hora, vale ter os indicadores calculados direto dos dados do cadastro e da folha.

Como decidir na sua empresa

Comece pelos KPIs, porque sem medida não há como saber o que mudar. Depois escolha uma ou duas mudanças por trimestre e transforme em OKR.

  • Escolha de 3 a 5 KPIs de RH e escreva a fórmula de cada um, com a fonte dos dados.
  • Defina se cada KPI é "maior-melhor" ou "menor-melhor" e a meta, com valor e prazo.
  • Olhe os KPIs todo mês, sempre com a mesma conta, e anote o que mudou.
  • Quando um KPI sair da faixa, transforme o problema em objetivo do próximo trimestre.
  • Escreva de 3 a 5 resultados-chave medíveis para cada objetivo, sem tarefas na lista.
  • Dê nota de 0 a 1 no fim do ciclo, sem ligar a nota ao bônus de ninguém.

Se a empresa paga PLR, use KPIs com regras claras no acordo e deixe os OKRs livres para metas ousadas. Assim cada ferramenta faz o que sabe fazer.

Fontes e base legal

Conteúdo informativo. Convenções coletivas podem ter regras próprias; em casos específicos, fale com o seu contador.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre OKR e KPI?

O KPI é um indicador-chave acompanhado sem prazo para acabar, como o turnover mensal, e mostra se um processo está saudável. O OKR é um objetivo com resultados-chave mensuráveis para um ciclo curto, em geral um trimestre, e serve para mudar algo. O site de John Doerr resume: KPI mede saúde; OKR mede mudança.

OKR e KPI podem ser usados juntos?

Sim, e é o uso mais comum. O KPI mostra onde há problema, como um turnover voluntário acima do esperado. O OKR organiza o esforço do trimestre para resolver, com resultados-chave medíveis. Depois do ciclo, o OKR acaba e o KPI continua no painel, para mostrar se a mudança se manteve.

Quem criou o OKR?

O método vem de Andy Grove, na Intel, que partiu da administração por objetivos de Peter Drucker. John Doerr aprendeu com Grove, deu o nome OKR e diz ter apresentado o método aos fundadores do Google em 1999. O guia do Google registra que a empresa começou a testá-lo no início de 2000.

Quantos OKRs uma empresa deve ter?

Poucos. O guia de OKRs do Google recomenda de 3 a 5 objetivos, com cerca de 3 resultados-chave cada, porque mais do que isso espalha o esforço do time. O site What Matters, de John Doerr, fala em 3 a 5 resultados-chave por objetivo. Numa empresa pequena, um ou dois objetivos por trimestre costumam bastar.

Quais são exemplos de KPI de RH?

Turnover, taxa de desligamento, turnover voluntário, absenteísmo, tempo de contratação e eNPS estão entre os mais usados. Cada um precisa de fórmula escrita e fixa. Exemplo: com quadro médio de 42 pessoas, 12 admissões e 8 desligamentos no ano, o turnover pela fórmula das entradas e saídas dá 23,81%.

OKR deve ser ligado a bônus ou PLR?

O site de John Doerr diz que os OKRs são separados da remuneração, e o Google afirma que eles não equivalem à avaliação de desempenho. Ligar a nota a bônus desestimula metas ousadas. Para PLR, a Lei 10.101/2000 aceita índices de produtividade, qualidade ou lucratividade e programas de metas com regras claras.

Escrito por

Equipe Benway

Conteúdos produzidos pela equipe editorial da Benway, com apoio de inteligência artificial e a partir de fontes oficiais. Escrevemos para profissionais de RH, DP e gestores de pequenas e médias empresas no Brasil.

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