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Gestão de Pessoas

Turnover ou absenteísmo: qual a diferença e o que medir?

Um conta quem sai, o outro conta as horas que faltam. Fórmulas, exemplo numérico, o que a lei diz sobre faltas e como ler os dois juntos.

Equipe Benway

Publicado em · 10 min de leitura

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Resposta rápida

Use o turnover para medir quantas pessoas entram e saem da empresa num período e o absenteísmo para medir quantas horas de trabalho planejadas se perdem com faltas, atestados e atrasos. Na calculadora da Benway, 12 admissões e 8 desligamentos num quadro médio de 42 pessoas dão turnover de 23,81% no ano.

Neste artigo · 8 seções

Turnover e absenteísmo aparecem lado a lado em todo painel de RH, e muita gente usa os dois como se medissem a mesma coisa: "o pessoal não para aqui". Mas um conta pessoas que entram e saem; o outro conta horas que faltam de quem continua na empresa.

Esta comparação é para quem faz RH numa empresa pequena ou média e quer saber o que medir primeiro, como calcular e o que fazer quando um dos números sobe. Para a fórmula detalhada de cada um, veja como calcular e reduzir o turnover e o post sobre a fórmula do absenteísmo; aqui o foco é a diferença entre os dois.

CritérioTurnoverAbsenteísmo
O que medeEntrada e saída de pessoas em relação ao quadro médioHoras ou dias de trabalho perdidos em relação ao planejado
Fórmula da Benway((admissões + desligamentos) ÷ 2) ÷ quadro médio × 100horas perdidas ÷ horas planejadas × 100
De onde vêm os dadosDatas de admissão e de desligamentoFaltas, atestados, atrasos e saídas antecipadas
Período de leituraMelhor em 12 meses; o mês sozinho oscila muitoMês a mês, com o total do ano
O que costuma explicarSalário, liderança, carreira, seleção e fim de contratoSaúde, sobrecarga, clima, transporte e família
Base legal ligadaTipos de desligamento da CLTFaltas justificadas (CLT, art. 473; Lei 605/1949, art. 6º) e atestados (Lei 8.213/1991, art. 60)
Custo para a empresaRescisão, seleção, treinamento e curva de aprendizadoHoras pagas sem trabalho, horas extras de quem cobre e atraso nas entregas
Referência de mercadoDIEESE: 62,8% de rotatividade entre celetistas em 2014, com método próprioSem referência pública única; compare com o próprio histórico
Erro comumComparar turnover de empresa que cresce com o de empresa estávelSomar afastamento pelo INSS e férias às faltas
Como a Benway apoiaCalculadora de turnover e painel de People AnalyticsPlanilha de absenteísmo e painel de People Analytics
Consulta em 25/10/2026. Fontes: calculadora de turnover e planilha de absenteísmo da Benway, DIEESE (2016), Lei 605/1949, Lei 8.213/1991 e CLT no Planalto.

Quando olhar primeiro para o turnover?

Olhe primeiro para o turnover quando a empresa sente que está sempre contratando, treinando e perdendo gente. Ele mostra quanto o time se renova e ajuda a achar as áreas e os momentos em que as saídas se concentram.

O perfil típico é a empresa de varejo, alimentação ou atendimento, com muitas vagas de entrada, ou a empresa que cresceu rápido e quer saber se está conseguindo manter quem contrata.

  • Mostra a renovação: com entradas e saídas, você vê quanto do time mudou no período.
  • Separa os tipos de saída: pedidos de demissão (voluntário) e demissões ou fim de contrato (involuntário) contam histórias diferentes.
  • Aponta problemas de seleção: muitas saídas nos primeiros meses sugerem que a vaga foi mal descrita ou a seleção errou o perfil.
  • Tem custo visível: cada saída gera rescisão, nova seleção e treinamento.

Um recorte que ajuda muito é o tempo de casa de quem sai. Se boa parte das saídas acontece antes dos 90 dias, o problema costuma estar na vaga, na seleção ou na integração, e não no salário. Se as saídas se concentram depois de 2 anos, olhe carreira e reconhecimento. O painel de People Analytics da Benway mostra quando as pessoas saem por faixa de tempo de casa.

O cuidado é com empresa em crescimento. Admissões para vagas novas sobem o turnover mesmo sem ninguém sair. Nesse caso, olhe também a taxa de desligamento, que usa só as saídas.

Quando olhar primeiro para o absenteísmo?

Olhe primeiro para o absenteísmo quando o problema é a falta de gente no dia a dia: escalas furadas, horas extras para cobrir ausências e entregas atrasadas, mesmo sem ninguém pedir demissão.

O perfil típico é a operação com escala, como fábrica, clínica, loja ou call center, em que cada ausência precisa ser coberta por alguém. Também é o indicador que aparece primeiro quando há problema de saúde ou de sobrecarga no time.

  • Sinal precoce: faltas e atestados crescendo numa área podem anteceder pedidos de demissão.
  • Custo direto: as horas perdidas têm valor em reais e costumam gerar horas extras de quem cobre.
  • Separa causas: justificadas e não justificadas pedem respostas diferentes.
  • Mede atrasos: em horas, um atraso de 25 minutos entra na mesma conta que a falta.

O cuidado é com o que entra na conta. Férias e afastamento pelo INSS a partir do 16º dia ficam fora do índice na planilha da Benway, porque não são ausências do dia a dia.

Como calcular cada um?

O turnover divide a média entre admissões e desligamentos pelo quadro médio; o absenteísmo divide as horas perdidas pelas horas planejadas. Não existe fórmula oficial para empresas em nenhum dos dois: escolha uma, diga qual é e mantenha a mesma todo mês.

Turnover

  1. Quadro médio = (pessoas no início + pessoas no fim) ÷ 2.
  2. Turnover = ((admissões + desligamentos) ÷ 2) ÷ quadro médio × 100.
  3. Taxa de desligamento = desligamentos ÷ quadro médio × 100.

Pelo exemplo da calculadora de turnover da Benway: 40 pessoas no início, 44 no fim, 12 admissões e 8 desligamentos. O quadro médio é 42, o turnover é 23,81% e a taxa de desligamento, 19,05%. Se 5 saídas foram pedidos e 3 foram demissões, o voluntário é 11,90% e o involuntário, 7,14%.

Absenteísmo

  1. Horas planejadas = dias úteis do período × jornada do dia, sem férias e afastamentos.
  2. Horas perdidas = faltas, atestados, atrasos e saídas antecipadas, em horas.
  3. Índice = horas perdidas ÷ horas planejadas × 100.

Na prévia da planilha de absenteísmo da Benway, 20 pessoas em 5x2 perderam 1.079,8 de 42.484,8 horas em 2026, um índice de 2,54%. Do total perdido, 80,63% foram horas justificadas.

Exemplo: os dois indicadores no mesmo mês. Empresa com 25 pessoas em outubro de 2026, jornada de 8,8 horas por dia.

  1. Horas planejadas: outubro tem 21 dias úteis (12/10 é feriado). 21 × 8,8 h = 184,8 h por pessoa; 25 × 184,8 = 4.620 h.
  2. Horas perdidas: 3 dias de atestado (26,4 h) + 1 falta sem justificativa (8,8 h) + 4,8 h de atrasos = 40 h.
  3. Absenteísmo: 40 ÷ 4.620 × 100 = 0,87%.
  4. Valor das horas, com salário de R$ 3.000 e divisor 220: 40 × (R$ 3.000 ÷ 220) = R$ 545,45, com a hora normal de cerca de R$ 13,64.
  5. Turnover no mesmo mês: 1 admissão e 1 desligamento, com 25 pessoas no início e no fim. ((1 + 1) ÷ 2) ÷ 25 × 100 = 4,00%.

Os dois números contam histórias diferentes: uma pessoa trocada e 40 horas de ausência de quem ficou.

O que a lei diz sobre faltas e saídas?

A lei não define fórmula para nenhum dos dois indicadores, mas diz quais faltas são justificadas, quem paga os primeiros dias de atestado e como cada tipo de desligamento funciona. Isso muda a forma de classificar os dados.

  • Faltas sem prejuízo do salário: a CLT, art. 473, lista casos como até 2 dias consecutivos por falecimento de cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
  • Repouso semanal: quem falta sem motivo justificado perde a remuneração do descanso da semana (Lei 605/1949, art. 6º). A doença comprovada é motivo justificado (§ 1º, f).
  • Atestado: nos primeiros 15 dias consecutivos de afastamento por doença, a empresa paga o salário integral (Lei 8.213/1991, art. 60, § 3º). Do 16º dia em diante, o caso passa ao INSS.
  • Desligamentos: pedido de demissão, demissão com ou sem justa causa, rescisão indireta e acordo têm regras próprias na CLT, e separar cada tipo melhora a leitura do turnover.

Como ler o turnover e o absenteísmo juntos?

Lidos juntos, os dois mostram se a empresa tem um problema de permanência, de presença ou dos dois. A leitura mais útil é por área, mês a mês, comparando com o próprio histórico.

  • Turnover alto e absenteísmo baixo: as pessoas trabalham enquanto estão, mas não ficam. Olhe salário, carreira, liderança e qualidade da seleção.
  • Turnover baixo e absenteísmo alto: as pessoas ficam, mas faltam. Olhe saúde, sobrecarga, transporte e clima.
  • Os dois altos na mesma área: sinal forte de problema local, muitas vezes de liderança ou de condições de trabalho.
  • Os dois baixos: bom sinal, mas confira se o time está tirando férias e se não há pessoas trabalhando doentes.

Como referência de mercado para o turnover, o DIEESE mediu 62,8% de rotatividade global entre celetistas em 2014, com um método diferente: o menor valor entre admissões e desligamentos dividido pelo estoque médio. Para o absenteísmo, não há uma referência pública única; o post sobre a fórmula e o benchmark do absenteísmo discute as fontes disponíveis.

Quais erros mais distorcem os dois números?

Os erros mais comuns são mudar a fórmula no meio do ano, misturar no mesmo número coisas que deveriam estar separadas e comparar empresas ou áreas com realidades diferentes. Todos levam a decisões erradas.

No turnover

  • Esquecer o crescimento: numa empresa que dobrou de tamanho, as admissões puxam o turnover para cima. Leia junto a taxa de desligamento.
  • Não separar os tipos de saída: fim de contrato de experiência, pedido de demissão e demissão por desempenho pedem ações diferentes.
  • Ler um mês sozinho: em times pequenos, uma única saída muda muito o número. Em 10 pessoas, cada saída a mais soma 10 pontos na taxa de desligamento, pelo cálculo da Benway.
  • Contar quem está de férias como fora do quadro: férias e afastamento não encerram o vínculo; a pessoa continua no quadro médio.

No absenteísmo

  • Somar férias e afastamento pelo INSS: eles não são ausências do dia a dia. Na prévia da Benway, incluir 54 dias de afastamento de uma pessoa levaria o índice do ano de 2,54% para 3,62%.
  • Contar só dias inteiros: atrasos e saídas antecipadas somem do índice quando a conta é em dias.
  • Tratar todo atestado como suspeito: doença comprovada é motivo justificado por lei. O índice serve para achar causas, não para punir quem adoeceu.
  • Registrar no fim do mês, de memória: o registro no dia evita esquecimentos e discussões.

Quanto custa cada um para a empresa?

O turnover custa rescisão, nova seleção, treinamento e o tempo até a pessoa nova render. O absenteísmo custa as horas pagas sem trabalho, as horas extras de quem cobre e o atraso nas entregas. Os dois custos são reais, mas só o segundo aparece com facilidade na folha do mês.

Uma conta simples ajuda a dar peso aos números. No exemplo acima, 40 horas perdidas num mês valem R$ 545,45 em horas pagas de quem ganha R$ 3.000, sem contar a hora extra de quem cobriu. No turnover, a conta envolve as verbas da rescisão e o tempo de RH e gestor para selecionar e treinar.

Como decidir o que medir na sua empresa

Meça os dois, mas comece pelo que mais dói hoje. Se o problema é contratar o tempo todo, comece pelo turnover; se é escala furada, pelo absenteísmo. Depois, acompanhe os dois por área.

  • Escolha a fórmula de cada indicador e escreva onde todos possam ver.
  • Registre datas de admissão e desligamento e o tipo de cada saída.
  • Registre cada falta, atestado e atraso no dia em que acontecer, separando justificadas e não justificadas.
  • Calcule os dois todo mês e olhe o turnover também em 12 meses.
  • Compare áreas e converse com a liderança quando os dois sobem juntos.
  • Proteja o motivo dos atestados: para o índice, basta saber se a falta foi justificada.

Fontes e base legal

Conteúdo informativo. Convenções coletivas podem ter regras próprias; em casos específicos, fale com o seu contador.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre turnover e absenteísmo?

O turnover mede a troca de pessoas: quantas entraram e saíram em relação ao quadro médio. O absenteísmo mede a ausência de quem continua na empresa: horas ou dias perdidos com faltas, atestados e atrasos em relação ao planejado. Um olha para o vínculo; o outro, para a presença no dia a dia.

Como calcular o turnover?

Some admissões e desligamentos do período, divida por 2 e depois pelo quadro médio, que é a média entre as pessoas no início e no fim. Multiplique por 100. Com 40 pessoas no início, 44 no fim, 12 admissões e 8 desligamentos, o turnover é 23,81%, pelo cálculo da Benway.

Como calcular o absenteísmo?

Divida as horas perdidas com faltas, atestados, atrasos e saídas antecipadas pelas horas planejadas do período e multiplique por 100. Horas planejadas são os dias úteis vezes a jornada do dia. Na prévia da planilha da Benway, 20 pessoas perderam 1.079,8 de 42.484,8 horas em 2026: índice de 2,54%.

Absenteísmo alto leva a turnover alto?

Pode ser um sinal antecipado, mas não há regra fixa. Faltas que crescem numa área podem indicar desânimo, sobrecarga ou problema de saúde, e parte dessas pessoas acaba saindo. Por isso vale acompanhar os dois indicadores por área, mês a mês, e conversar com a liderança quando os dois sobem juntos.

Atestado médico entra no absenteísmo?

Entra, como ausência justificada. A doença comprovada é motivo justificado de falta (Lei 605/1949, art. 6º, § 1º, f), e a empresa paga os primeiros 15 dias de afastamento por doença (Lei 8.213/1991, art. 60, § 3º). Separe justificadas e não justificadas para ler melhor o índice.

Existe turnover ou absenteísmo ideal?

Não existe taxa ideal com fonte pública para toda empresa. Depende do setor, do porte e de quantas vagas são novas. Como referência de mercado, o DIEESE mediu rotatividade de 62,8% entre celetistas em 2014, com método próprio. A comparação mais útil é com o próprio histórico e entre áreas.

Escrito por

Equipe Benway

Conteúdos produzidos pela equipe editorial da Benway, com apoio de inteligência artificial e a partir de fontes oficiais. Escrevemos para profissionais de RH, DP e gestores de pequenas e médias empresas no Brasil.

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