Turnover ou absenteísmo: qual a diferença e o que medir?
Um conta quem sai, o outro conta as horas que faltam. Fórmulas, exemplo numérico, o que a lei diz sobre faltas e como ler os dois juntos.
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Resposta rápida
Use o turnover para medir quantas pessoas entram e saem da empresa num período e o absenteísmo para medir quantas horas de trabalho planejadas se perdem com faltas, atestados e atrasos. Na calculadora da Benway, 12 admissões e 8 desligamentos num quadro médio de 42 pessoas dão turnover de 23,81% no ano.
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Turnover e absenteísmo aparecem lado a lado em todo painel de RH, e muita gente usa os dois como se medissem a mesma coisa: "o pessoal não para aqui". Mas um conta pessoas que entram e saem; o outro conta horas que faltam de quem continua na empresa.
Esta comparação é para quem faz RH numa empresa pequena ou média e quer saber o que medir primeiro, como calcular e o que fazer quando um dos números sobe. Para a fórmula detalhada de cada um, veja como calcular e reduzir o turnover e o post sobre a fórmula do absenteísmo; aqui o foco é a diferença entre os dois.
| Critério | Turnover | Absenteísmo |
|---|---|---|
| O que mede | Entrada e saída de pessoas em relação ao quadro médio | Horas ou dias de trabalho perdidos em relação ao planejado |
| Fórmula da Benway | ((admissões + desligamentos) ÷ 2) ÷ quadro médio × 100 | horas perdidas ÷ horas planejadas × 100 |
| De onde vêm os dados | Datas de admissão e de desligamento | Faltas, atestados, atrasos e saídas antecipadas |
| Período de leitura | Melhor em 12 meses; o mês sozinho oscila muito | Mês a mês, com o total do ano |
| O que costuma explicar | Salário, liderança, carreira, seleção e fim de contrato | Saúde, sobrecarga, clima, transporte e família |
| Base legal ligada | Tipos de desligamento da CLT | Faltas justificadas (CLT, art. 473; Lei 605/1949, art. 6º) e atestados (Lei 8.213/1991, art. 60) |
| Custo para a empresa | Rescisão, seleção, treinamento e curva de aprendizado | Horas pagas sem trabalho, horas extras de quem cobre e atraso nas entregas |
| Referência de mercado | DIEESE: 62,8% de rotatividade entre celetistas em 2014, com método próprio | Sem referência pública única; compare com o próprio histórico |
| Erro comum | Comparar turnover de empresa que cresce com o de empresa estável | Somar afastamento pelo INSS e férias às faltas |
| Como a Benway apoia | Calculadora de turnover e painel de People Analytics | Planilha de absenteísmo e painel de People Analytics |
Quando olhar primeiro para o turnover?
Olhe primeiro para o turnover quando a empresa sente que está sempre contratando, treinando e perdendo gente. Ele mostra quanto o time se renova e ajuda a achar as áreas e os momentos em que as saídas se concentram.
O perfil típico é a empresa de varejo, alimentação ou atendimento, com muitas vagas de entrada, ou a empresa que cresceu rápido e quer saber se está conseguindo manter quem contrata.
- Mostra a renovação: com entradas e saídas, você vê quanto do time mudou no período.
- Separa os tipos de saída: pedidos de demissão (voluntário) e demissões ou fim de contrato (involuntário) contam histórias diferentes.
- Aponta problemas de seleção: muitas saídas nos primeiros meses sugerem que a vaga foi mal descrita ou a seleção errou o perfil.
- Tem custo visível: cada saída gera rescisão, nova seleção e treinamento.
Um recorte que ajuda muito é o tempo de casa de quem sai. Se boa parte das saídas acontece antes dos 90 dias, o problema costuma estar na vaga, na seleção ou na integração, e não no salário. Se as saídas se concentram depois de 2 anos, olhe carreira e reconhecimento. O painel de People Analytics da Benway mostra quando as pessoas saem por faixa de tempo de casa.
O cuidado é com empresa em crescimento. Admissões para vagas novas sobem o turnover mesmo sem ninguém sair. Nesse caso, olhe também a taxa de desligamento, que usa só as saídas.
Quando olhar primeiro para o absenteísmo?
Olhe primeiro para o absenteísmo quando o problema é a falta de gente no dia a dia: escalas furadas, horas extras para cobrir ausências e entregas atrasadas, mesmo sem ninguém pedir demissão.
O perfil típico é a operação com escala, como fábrica, clínica, loja ou call center, em que cada ausência precisa ser coberta por alguém. Também é o indicador que aparece primeiro quando há problema de saúde ou de sobrecarga no time.
- Sinal precoce: faltas e atestados crescendo numa área podem anteceder pedidos de demissão.
- Custo direto: as horas perdidas têm valor em reais e costumam gerar horas extras de quem cobre.
- Separa causas: justificadas e não justificadas pedem respostas diferentes.
- Mede atrasos: em horas, um atraso de 25 minutos entra na mesma conta que a falta.
O cuidado é com o que entra na conta. Férias e afastamento pelo INSS a partir do 16º dia ficam fora do índice na planilha da Benway, porque não são ausências do dia a dia.
Como calcular cada um?
O turnover divide a média entre admissões e desligamentos pelo quadro médio; o absenteísmo divide as horas perdidas pelas horas planejadas. Não existe fórmula oficial para empresas em nenhum dos dois: escolha uma, diga qual é e mantenha a mesma todo mês.
Turnover
- Quadro médio = (pessoas no início + pessoas no fim) ÷ 2.
- Turnover = ((admissões + desligamentos) ÷ 2) ÷ quadro médio × 100.
- Taxa de desligamento = desligamentos ÷ quadro médio × 100.
Pelo exemplo da calculadora de turnover da Benway: 40 pessoas no início, 44 no fim, 12 admissões e 8 desligamentos. O quadro médio é 42, o turnover é 23,81% e a taxa de desligamento, 19,05%. Se 5 saídas foram pedidos e 3 foram demissões, o voluntário é 11,90% e o involuntário, 7,14%.
Absenteísmo
- Horas planejadas = dias úteis do período × jornada do dia, sem férias e afastamentos.
- Horas perdidas = faltas, atestados, atrasos e saídas antecipadas, em horas.
- Índice = horas perdidas ÷ horas planejadas × 100.
Na prévia da planilha de absenteísmo da Benway, 20 pessoas em 5x2 perderam 1.079,8 de 42.484,8 horas em 2026, um índice de 2,54%. Do total perdido, 80,63% foram horas justificadas.
Exemplo: os dois indicadores no mesmo mês. Empresa com 25 pessoas em outubro de 2026, jornada de 8,8 horas por dia.
- Horas planejadas: outubro tem 21 dias úteis (12/10 é feriado). 21 × 8,8 h = 184,8 h por pessoa; 25 × 184,8 = 4.620 h.
- Horas perdidas: 3 dias de atestado (26,4 h) + 1 falta sem justificativa (8,8 h) + 4,8 h de atrasos = 40 h.
- Absenteísmo: 40 ÷ 4.620 × 100 = 0,87%.
- Valor das horas, com salário de R$ 3.000 e divisor 220: 40 × (R$ 3.000 ÷ 220) = R$ 545,45, com a hora normal de cerca de R$ 13,64.
- Turnover no mesmo mês: 1 admissão e 1 desligamento, com 25 pessoas no início e no fim. ((1 + 1) ÷ 2) ÷ 25 × 100 = 4,00%.
Os dois números contam histórias diferentes: uma pessoa trocada e 40 horas de ausência de quem ficou.
O que a lei diz sobre faltas e saídas?
A lei não define fórmula para nenhum dos dois indicadores, mas diz quais faltas são justificadas, quem paga os primeiros dias de atestado e como cada tipo de desligamento funciona. Isso muda a forma de classificar os dados.
- Faltas sem prejuízo do salário: a CLT, art. 473, lista casos como até 2 dias consecutivos por falecimento de cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
- Repouso semanal: quem falta sem motivo justificado perde a remuneração do descanso da semana (Lei 605/1949, art. 6º). A doença comprovada é motivo justificado (§ 1º, f).
- Atestado: nos primeiros 15 dias consecutivos de afastamento por doença, a empresa paga o salário integral (Lei 8.213/1991, art. 60, § 3º). Do 16º dia em diante, o caso passa ao INSS.
- Desligamentos: pedido de demissão, demissão com ou sem justa causa, rescisão indireta e acordo têm regras próprias na CLT, e separar cada tipo melhora a leitura do turnover.
Como ler o turnover e o absenteísmo juntos?
Lidos juntos, os dois mostram se a empresa tem um problema de permanência, de presença ou dos dois. A leitura mais útil é por área, mês a mês, comparando com o próprio histórico.
- Turnover alto e absenteísmo baixo: as pessoas trabalham enquanto estão, mas não ficam. Olhe salário, carreira, liderança e qualidade da seleção.
- Turnover baixo e absenteísmo alto: as pessoas ficam, mas faltam. Olhe saúde, sobrecarga, transporte e clima.
- Os dois altos na mesma área: sinal forte de problema local, muitas vezes de liderança ou de condições de trabalho.
- Os dois baixos: bom sinal, mas confira se o time está tirando férias e se não há pessoas trabalhando doentes.
Como referência de mercado para o turnover, o DIEESE mediu 62,8% de rotatividade global entre celetistas em 2014, com um método diferente: o menor valor entre admissões e desligamentos dividido pelo estoque médio. Para o absenteísmo, não há uma referência pública única; o post sobre a fórmula e o benchmark do absenteísmo discute as fontes disponíveis.
Quais erros mais distorcem os dois números?
Os erros mais comuns são mudar a fórmula no meio do ano, misturar no mesmo número coisas que deveriam estar separadas e comparar empresas ou áreas com realidades diferentes. Todos levam a decisões erradas.
No turnover
- Esquecer o crescimento: numa empresa que dobrou de tamanho, as admissões puxam o turnover para cima. Leia junto a taxa de desligamento.
- Não separar os tipos de saída: fim de contrato de experiência, pedido de demissão e demissão por desempenho pedem ações diferentes.
- Ler um mês sozinho: em times pequenos, uma única saída muda muito o número. Em 10 pessoas, cada saída a mais soma 10 pontos na taxa de desligamento, pelo cálculo da Benway.
- Contar quem está de férias como fora do quadro: férias e afastamento não encerram o vínculo; a pessoa continua no quadro médio.
No absenteísmo
- Somar férias e afastamento pelo INSS: eles não são ausências do dia a dia. Na prévia da Benway, incluir 54 dias de afastamento de uma pessoa levaria o índice do ano de 2,54% para 3,62%.
- Contar só dias inteiros: atrasos e saídas antecipadas somem do índice quando a conta é em dias.
- Tratar todo atestado como suspeito: doença comprovada é motivo justificado por lei. O índice serve para achar causas, não para punir quem adoeceu.
- Registrar no fim do mês, de memória: o registro no dia evita esquecimentos e discussões.
Quanto custa cada um para a empresa?
O turnover custa rescisão, nova seleção, treinamento e o tempo até a pessoa nova render. O absenteísmo custa as horas pagas sem trabalho, as horas extras de quem cobre e o atraso nas entregas. Os dois custos são reais, mas só o segundo aparece com facilidade na folha do mês.
Uma conta simples ajuda a dar peso aos números. No exemplo acima, 40 horas perdidas num mês valem R$ 545,45 em horas pagas de quem ganha R$ 3.000, sem contar a hora extra de quem cobriu. No turnover, a conta envolve as verbas da rescisão e o tempo de RH e gestor para selecionar e treinar.
Como decidir o que medir na sua empresa
Meça os dois, mas comece pelo que mais dói hoje. Se o problema é contratar o tempo todo, comece pelo turnover; se é escala furada, pelo absenteísmo. Depois, acompanhe os dois por área.
- Escolha a fórmula de cada indicador e escreva onde todos possam ver.
- Registre datas de admissão e desligamento e o tipo de cada saída.
- Registre cada falta, atestado e atraso no dia em que acontecer, separando justificadas e não justificadas.
- Calcule os dois todo mês e olhe o turnover também em 12 meses.
- Compare áreas e converse com a liderança quando os dois sobem juntos.
- Proteja o motivo dos atestados: para o índice, basta saber se a falta foi justificada.
Fontes e base legal
- Lei 605/1949 (Planalto)Art. 6º: faltas sem motivo justificado e motivos justificados.
- Lei 8.213/1991 (Planalto)Art. 60, § 3º: a empresa paga os primeiros 15 dias de afastamento por doença.
- CLT, Decreto-Lei 5.452/1943 (Planalto)Art. 473: faltas sem prejuízo do salário.
- Benway: Calculadora de turnover 2026Fórmulas de turnover, taxa de desligamento e quadro médio, com exemplo.
- Benway: Planilha de absenteísmoFórmula do índice em horas, horas planejadas e prévia de 2026.
- DIEESE, Rotatividade no mercado de trabalho brasileiro (2016)Rotatividade global de 62,8% entre celetistas em 2014.
Conteúdo informativo. Convenções coletivas podem ter regras próprias; em casos específicos, fale com o seu contador.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre turnover e absenteísmo?
O turnover mede a troca de pessoas: quantas entraram e saíram em relação ao quadro médio. O absenteísmo mede a ausência de quem continua na empresa: horas ou dias perdidos com faltas, atestados e atrasos em relação ao planejado. Um olha para o vínculo; o outro, para a presença no dia a dia.
Como calcular o turnover?
Some admissões e desligamentos do período, divida por 2 e depois pelo quadro médio, que é a média entre as pessoas no início e no fim. Multiplique por 100. Com 40 pessoas no início, 44 no fim, 12 admissões e 8 desligamentos, o turnover é 23,81%, pelo cálculo da Benway.
Como calcular o absenteísmo?
Divida as horas perdidas com faltas, atestados, atrasos e saídas antecipadas pelas horas planejadas do período e multiplique por 100. Horas planejadas são os dias úteis vezes a jornada do dia. Na prévia da planilha da Benway, 20 pessoas perderam 1.079,8 de 42.484,8 horas em 2026: índice de 2,54%.
Absenteísmo alto leva a turnover alto?
Pode ser um sinal antecipado, mas não há regra fixa. Faltas que crescem numa área podem indicar desânimo, sobrecarga ou problema de saúde, e parte dessas pessoas acaba saindo. Por isso vale acompanhar os dois indicadores por área, mês a mês, e conversar com a liderança quando os dois sobem juntos.
Atestado médico entra no absenteísmo?
Entra, como ausência justificada. A doença comprovada é motivo justificado de falta (Lei 605/1949, art. 6º, § 1º, f), e a empresa paga os primeiros 15 dias de afastamento por doença (Lei 8.213/1991, art. 60, § 3º). Separe justificadas e não justificadas para ler melhor o índice.
Existe turnover ou absenteísmo ideal?
Não existe taxa ideal com fonte pública para toda empresa. Depende do setor, do porte e de quantas vagas são novas. Como referência de mercado, o DIEESE mediu rotatividade de 62,8% entre celetistas em 2014, com método próprio. A comparação mais útil é com o próprio histórico e entre áreas.
Escrito por
Equipe Benway
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