Absenteísmo ou presenteísmo: qual a diferença e como medir?
Um aparece no registro de faltas; o outro, só quando alguém pergunta. Como medir os dois, o que a lei diz e o que o RH pode fazer.
Publicado em · 10 min de leitura
Resposta rápida
Absenteísmo é a ausência: horas planejadas perdidas com faltas, atestados e atrasos, medidas pelo registro. Presenteísmo é ir trabalhar doente ou sem condições e render menos, medido por questionário. O primeiro aparece na folha; o segundo, não. A Escala de Presenteísmo de Stanford, de 2002, mede o problema com 6 perguntas.
Neste artigo · 8 seções
Absenteísmo e presenteísmo são dois lados do mesmo problema: a empresa planejou um tanto de trabalho e não recebeu. No absenteísmo, a pessoa não está. No presenteísmo, ela está, mas sem condições de render, porque está doente, exausta ou com a cabeça em outro lugar.
Esta comparação é para quem faz RH numa empresa pequena ou média e acompanha faltas e atestados, mas desconfia que o número não conta a história toda. O que decide o que medir primeiro é o que você já tem de dado e o que está acontecendo no time.
| Critério | Absenteísmo | Presenteísmo |
|---|---|---|
| O que é | Ausência do trabalho: faltas, atestados, atrasos e saídas antecipadas | Trabalhar doente ou sem condições e render menos |
| O que mede | Horas ou dias planejados que foram perdidos | Perda de rendimento de quem está presente |
| Como medir | Registro: ponto, atestados, controle de faltas | Questionário, como a Escala de Presenteísmo de Stanford |
| Fórmula comum | horas perdidas ÷ horas planejadas × 100 | Não há fórmula única; cada questionário tem a sua pontuação |
| Visibilidade | Aparece na folha e no controle de frequência | Não aparece em nenhum registro |
| Causas frequentes | Doença, problemas familiares, transporte, desmotivação | Doença leve ou crônica, medo de faltar, sobrecarga, cultura de nunca faltar |
| Base legal | Faltas justificadas (Lei 605/1949, art. 6º) e atestados (Lei 8.213/1991, art. 60) | Sem regra própria; entra na gestão de saúde e segurança |
| Risco de leitura | Índice baixo pode esconder gente trabalhando doente | Autoavaliação sujeita a medo de se expor |
| Erro comum | Pressionar para ninguém faltar | Ignorar porque não aparece nos números |
| Como a Benway apoia | Planilha de absenteísmo e painel de People Analytics | Pesquisas anônimas para perguntar ao time |
Quando focar no absenteísmo?
Foque no absenteísmo quando as ausências estão atrapalhando a operação: escalas furadas, horas extras para cobrir faltas e entregas atrasadas. É o indicador mais fácil de começar, porque o dado já existe no controle de frequência e nos atestados.
O perfil típico é a empresa com escala, como loja, clínica, fábrica ou restaurante, em que cada falta precisa ser coberta por alguém. Também é o primeiro passo de quem nunca mediu nada sobre saúde e presença.
- Dado disponível: faltas, atestados e atrasos já são registrados para a folha.
- Fórmula simples: horas perdidas divididas pelas horas planejadas.
- Valor em reais: as horas perdidas têm custo calculável pela hora normal.
- Bom para comparar áreas: mostra onde as ausências se concentram.
O cuidado é não transformar o índice em meta de punição. Para a fórmula detalhada e as referências disponíveis, veja o post sobre a fórmula e o benchmark do absenteísmo.
Quando focar no presenteísmo?
Foque no presenteísmo quando o índice de faltas é baixo, mas o rendimento do time está caindo, os erros aumentam ou as pessoas parecem sempre cansadas. É o problema que o registro de frequência não enxerga.
O perfil típico é a empresa com metas individuais apertadas, pouca gente para cobrir ausências ou uma cultura que valoriza "nunca faltar". Também aparece em épocas de surto de gripe, quando as pessoas vão trabalhar doentes e contagiam colegas.
- Mostra o que o ponto não mostra: a perda de rendimento de quem está presente.
- Revela causas de saúde: dores, alergias, enxaqueca e cansaço aparecem nas respostas.
- Protege o time: quem trabalha doente pode contagiar colegas e errar mais.
- Complementa o absenteísmo: um índice de faltas baixo com presenteísmo alto não é boa notícia.
O limite é a medida. Como depende de autoavaliação, o questionário só funciona se as pessoas confiarem que podem responder com sinceridade.
O que é presenteísmo, segundo os estudos?
Há duas formas de definir o presenteísmo na pesquisa: ir trabalhar doente, e estar presente com produtividade menor por causa de problemas de saúde. As duas falam do mesmo fenômeno visto de ângulos diferentes.
A revisão de Gary Johns (2010), no Journal of Organizational Behavior, define presenteísmo como ir trabalhar doente. O artigo mostra como o tema nasceu na medicina do trabalho, revisa as formas de medir, os fatores do trabalho ligados ao presenteísmo e a perda de produtividade que ele causa.
Já Koopman e colegas (2002) partem da produtividade: mesmo fisicamente presentes, as pessoas podem render menos e com qualidade abaixo do normal por causa da saúde. Para medir isso, criaram a Escala de Presenteísmo de Stanford. Começaram com 34 itens, respondidos por 175 funcionários de saúde de um condado nos Estados Unidos, e chegaram a 6 itens-chave, a SPS-6.
O tema ganhou espaço fora da academia com o artigo de Paul Hemp na Harvard Business Review, em outubro de 2004, que descreveu o presenteísmo como uma perda de produtividade quase invisível, mas significativa.
Como medir cada um?
O absenteísmo se mede pelo registro: horas perdidas sobre horas planejadas. O presenteísmo se mede por questionário, perguntando às pessoas como a saúde afetou o trabalho nas últimas semanas. Os dois juntos dão uma visão mais completa da presença real.
Absenteísmo, pelo registro
- Calcule as horas planejadas: dias úteis × jornada do dia, sem férias e afastamentos.
- Some as horas perdidas: faltas, atestados, atrasos e saídas antecipadas.
- Divida as perdidas pelas planejadas e multiplique por 100.
Na prévia da planilha de absenteísmo da Benway, 20 pessoas em 5x2 perderam 1.079,8 de 42.484,8 horas em 2026: índice de 2,54%, com 80,63% das horas perdidas justificadas.
Presenteísmo, por questionário
- Escolha um instrumento com estudo publicado, como a SPS-6, ou monte perguntas simples numa pesquisa anônima.
- Pergunte sobre um período curto, como as últimas 4 semanas, para a memória ajudar.
- Pergunte em quantos dias a pessoa trabalhou sem estar bem e quanto isso afetou o trabalho.
- Mostre só resultados de grupos com respostas suficientes para ninguém ser identificado.
Perguntas que podem entrar numa pesquisa anônima: "Nas últimas 4 semanas, em quantos dias você trabalhou se sentindo doente?", "Nesses dias, quanto do seu trabalho normal você conseguiu fazer?" e "O que fez você ir trabalhar mesmo sem estar bem?". São exemplos para adaptar; não substituem um instrumento validado.
Exemplo: o que o índice de faltas não mostra. Time de 10 pessoas em outubro de 2026, jornada de 8,8 horas por dia.
- Horas planejadas: 21 dias úteis × 8,8 h = 184,8 h por pessoa; 10 × 184,8 = 1.848 h.
- Absenteísmo: uma pessoa teve 2 dias de atestado, ou 17,6 h. 17,6 ÷ 1.848 × 100 = 0,95%.
- Presenteísmo: na pesquisa, 3 pessoas contaram que trabalharam gripadas por 3 dias e renderam cerca de metade do normal. 3 × 3 × 8,8 h × 50% = 39,6 h equivalentes perdidas.
- Leitura: a perda escondida pelo presenteísmo, nessa suposição, é mais que o dobro da que aparece no índice de faltas.
Em reais, com salário de R$ 3.000 e divisor 220, as 17,6 horas de atestado valem 17,6 × (R$ 3.000 ÷ 220) = R$ 240,00, pagos pela empresa por serem os primeiros dias de afastamento. As 39,6 horas equivalentes do presenteísmo, na mesma conta, valeriam R$ 540,00 em salário pago por trabalho que não rendeu, sem contar erros e retrabalho.
Os dias e o rendimento de 50% são suposições deste exemplo. O ponto é mostrar que um índice de faltas baixo não garante um time trabalhando bem.
Como ler o absenteísmo e o presenteísmo juntos?
Lidos juntos, os dois mostram se o time está faltando, trabalhando sem condições ou as duas coisas. Um índice de faltas sozinho pode enganar, para cima ou para baixo.
- Absenteísmo alto e presenteísmo baixo: as pessoas faltam quando não estão bem. É o cenário mais visível e, muitas vezes, o mais fácil de tratar, porque as causas aparecem nos registros.
- Absenteísmo baixo e presenteísmo alto: as pessoas vão trabalhar doentes. O número de faltas parece ótimo, mas a produtividade e a qualidade caem. Investigue medo de faltar, metas e falta de substituto.
- Os dois altos: sinal de problema de saúde mais amplo no time, que pode envolver condições de trabalho, sobrecarga ou clima. Vale envolver a liderança e, se houver, o profissional de saúde e segurança.
- Os dois baixos: bom sinal. Confirme com a participação nas pesquisas: se quase ninguém responde, o presenteísmo pode estar escondido.
Um movimento merece atenção especial: quando a empresa cria uma campanha para reduzir faltas e o índice cai rápido. Se as causas não mudaram, parte das faltas pode ter virado presenteísmo. Antes de comemorar, pergunte ao time como ele está se sentindo.
O que a lei diz sobre faltas por doença?
A lei protege quem falta por doença comprovada: a falta é justificada, e a empresa paga os primeiros 15 dias de afastamento. Não há regra específica sobre presenteísmo, mas pressionar alguém a trabalhar doente vai contra a gestão de saúde e segurança.
- Motivo justificado: a doença devidamente comprovada é motivo justificado de falta (Lei 605/1949, art. 6º, § 1º, f).
- Primeiros 15 dias: a empresa paga o salário integral nos primeiros 15 dias consecutivos de afastamento por doença (Lei 8.213/1991, art. 60, § 3º).
- Depois do 15º dia: o caso passa ao INSS, e a planilha da Benway tira esse período das horas planejadas.
- Dado sensível: o diagnóstico do atestado é dado de saúde; para o índice, basta saber que a falta foi justificada.
Na prática, punir ou constranger quem apresenta atestado empurra as pessoas para o presenteísmo. A falta some do índice, mas o problema continua, agora escondido.
O que o RH pode fazer com cada um?
No absenteísmo, a ação começa pelas causas que se repetem por área e por tipo de falta. No presenteísmo, começa por tirar o peso de faltar quando se está doente e por perguntar ao time o que o impede de cuidar da saúde.
- Separe justificadas e não justificadas: as primeiras pedem cuidado com a saúde; as segundas, conversa sobre motivação, transporte ou rotina.
- Olhe por área: ausências concentradas num setor costumam apontar para liderança, sobrecarga ou condições de trabalho.
- Tenha substituto para funções críticas: quem sabe que alguém cobre fica mais tranquilo para faltar quando precisa.
- Combine regras para sintomas contagiosos: trabalho remoto ou folga em caso de gripe, quando a função permite.
- Pergunte com anonimato: uma pesquisa curta a cada trimestre mostra se o presenteísmo está crescendo.
- Cuide do exemplo da liderança: o gestor que trabalha doente ensina o time a fazer o mesmo.
Como decidir o que medir na sua empresa
Comece pelo absenteísmo, que já tem dado. Se o índice for baixo e mesmo assim o time parecer cansado, com erros em alta, inclua perguntas sobre presenteísmo numa pesquisa anônima.
- Registre faltas, atestados e atrasos no dia em que acontecem.
- Calcule o absenteísmo em horas, todo mês, por área.
- Inclua 2 ou 3 perguntas sobre trabalhar doente numa pesquisa anônima por trimestre.
- Garanta que grupos pequenos não fiquem identificáveis no resultado.
- Combine com a liderança como agir em caso de sintomas contagiosos.
- Nunca use o índice de faltas para punir quem apresentou atestado.
Para outras planilhas e calculadoras de RH, veja os materiais gratuitos da Benway.
Fontes e base legal
- Lei 605/1949 (Planalto)Art. 6º: motivos justificados de falta, inclusive doença comprovada.
- Lei 8.213/1991 (Planalto)Art. 60, § 3º: a empresa paga os primeiros 15 dias de afastamento por doença.
- Johns, G. (2010). Presenteeism in the workplace: A review and research agenda. Journal of Organizational Behavior, 31(4)Definição de presenteísmo como trabalhar doente e revisão dos estudos.
- Koopman, C. et al. (2002). Stanford Presenteeism Scale: health status and employee productivity. Journal of Occupational and Environmental Medicine, 44(1) (PubMed)Criação da escala SPS-34 e da versão curta SPS-6.
- Hemp, P. (2004). Presenteeism: At Work, But Out of It. Harvard Business Review, outubro de 2004Presenteísmo como perda de produtividade pouco visível.
- Benway: Planilha de absenteísmoFórmula do índice em horas e prévia de 2026.
Conteúdo informativo. Convenções coletivas podem ter regras próprias; em casos específicos, fale com o seu contador.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre absenteísmo e presenteísmo?
Absenteísmo é faltar: a pessoa não está no trabalho por falta, atestado, atraso ou saída antecipada. Presenteísmo é estar no trabalho sem condições de render, em geral por doença ou mal-estar. O absenteísmo aparece no registro de ponto e nos atestados; o presenteísmo só aparece quando a empresa pergunta.
Como medir o presenteísmo?
Com questionário, porque não há registro. Um dos instrumentos conhecidos é a Escala de Presenteísmo de Stanford, de Koopman e colegas (2002), que partiu de 34 itens e chegou a uma versão de 6, a SPS-6. Os autores pediram mais estudos de validação com dados reais de perda de trabalho.
Como calcular o absenteísmo?
Divida as horas perdidas com faltas, atestados, atrasos e saídas antecipadas pelas horas planejadas do período e multiplique por 100. Na prévia da planilha da Benway, 20 pessoas perderam 1.079,8 de 42.484,8 horas em 2026, índice de 2,54%. Não há fórmula oficial: mantenha sempre a mesma.
Reduzir faltas pode aumentar o presenteísmo?
Pode. Se a empresa pressiona para ninguém faltar, mesmo doente, parte das faltas vira presenteísmo: a pessoa vai trabalhar, rende menos e pode contagiar colegas. Por isso, a meta não deve ser só baixar o índice de faltas, e sim entender as causas e cuidar da saúde do time.
A empresa pode descontar falta por doença?
Não, quando a doença é comprovada. A Lei 605/1949, art. 6º, § 1º, f, considera a doença devidamente comprovada motivo justificado. Nos primeiros 15 dias consecutivos de afastamento por doença, a empresa paga o salário integral (Lei 8.213/1991, art. 60, § 3º); depois, o caso vai ao INSS.
O que causa o presenteísmo?
A revisão de Gary Johns (2010) reúne fatores do trabalho e da saúde ligados a trabalhar doente. Na sua empresa, vale investigar medo de perder o emprego, tarefas sem substituto, metas individuais apertadas e uma cultura que valoriza nunca faltar. Uma pesquisa anônima mostra quais desses fatores pesam no seu time.
Escrito por
Equipe Benway
Conteúdos produzidos pela equipe editorial da Benway, com apoio de inteligência artificial e a partir de fontes oficiais. Escrevemos para profissionais de RH, DP e gestores de pequenas e médias empresas no Brasil.
