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Benefícios

Função voucher no PAT: regras do VR e do VA em 2026

O que mudou com a Lei 14.442/2022 e o Decreto 12.712/2025, o que a empresa não pode receber da operadora e quem deduz o PAT no imposto.

Equipe Benway

Publicado em · Atualizado em · 11 min de leitura

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Resposta rápida

Função voucher é o vale-refeição ou vale-alimentação em cartão dentro do PAT, emitido por uma facilitadora registrada (Decreto 10.854/2021, art. 170). O saldo só paga comida, não pode ser sacado e não vira salário. Desde o Decreto 12.712/2025, a taxa cobrada do restaurante vai até 3,6% e a empresa não pode receber desconto nem cashback.

Neste artigo · 8 seções

Quem procura "função voucher" quase sempre quer saber uma coisa: como dar vale-refeição ou vale-alimentação em cartão sem que o valor vire salário, e o que o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) exige da empresa em 2026. A dúvida cresceu porque as regras mudaram três vezes em pouco tempo: a Lei 14.442/2022, o Decreto 11.678/2023 e o Decreto 12.712/2025, que mexeu em taxas, prazos de repasse e abertura das redes.

Este guia explica o que é a função voucher no texto da lei, o que mudou para quem contrata o cartão, o que continua proibido, quanto custa o benefício em reais e quando a empresa tem direito à dedução no imposto de renda.

RegraComo está em 2026Base
Uso do saldoSó refeição em restaurante ou compra de gêneros alimentíciosLei 14.442/2022, art. 2º; Decreto 10.854/2021, art. 174
Saque e transferênciaProibidos na conta do benefícioDecreto 10.854/2021, art. 174, II
Valor para todosNo PAT, o mesmo valor para todos os trabalhadoresDecreto 10.854/2021, art. 172, parágrafo único
Deságio, rebate e cashbackProibidos para a empresa que contrataLei 14.442/2022, art. 3º; Decreto 10.854/2021, arts. 175 e 175-A
Taxa cobrada do restaurante (MDR)Até 3,6% por transaçãoDecreto 10.854/2021, art. 182-B, I
Tarifa de intercâmbioAté 2% por transaçãoDecreto 10.854/2021, art. 182-B, II
Repasse ao estabelecimentoAté 15 dias corridos da transaçãoDecreto 10.854/2021, art. 182-C
InteroperabilidadePlena, até 07/11/2026 (sábado)Decreto 10.854/2021, arts. 177 e 182-D, II
PortabilidadeGratuita, a pedido do trabalhadorDecreto 10.854/2021, art. 182
Multa por desvioDe R$ 5.000 a R$ 50.000, em dobro na reincidênciaLei 6.321/1976, art. 3º-A
Consulta em 25/10/2026. Fontes: Lei 6.321/1976, Lei 14.442/2022, Decreto 10.854/2021 (texto compilado com os Decretos 11.678/2023 e 12.712/2025) e Decreto 12.712/2025, no site do Planalto. Datas de prazo contadas pela Benway a partir da publicação no DOU de 12/11/2025.

O que é a Função Voucher?

"Função voucher" é o nome de mercado para o vale-refeição e o vale-alimentação em cartão ou aplicativo dentro do PAT. No Decreto 10.854/2021, quem faz esse papel é a "facilitadora de aquisição de refeições ou gêneros alimentícios" (art. 170, II).

O decreto divide as facilitadoras em duas atividades. A emissora PAT emite a moeda eletrônica que vai para a conta do trabalhador. A credenciadora PAT credencia restaurantes e mercados para aceitar o cartão. Elas emitem dois produtos: refeição convênio, para restaurantes, e alimentação convênio, para supermercados e outros comércios de alimentos (art. 170, § 1º).

O cartão é uma das três formas de executar o PAT. As outras são o serviço próprio de refeições, como um refeitório, e a distribuição de alimentos, como a cesta básica (art. 169). A empresa pode usar mais de uma.

O dinheiro do benefício fica numa conta de pagamento em nome do trabalhador, separada de outros saldos. Ele não pode ser sacado nem transferido, e pode ser usado mesmo depois da demissão (Decreto 10.854/2021, art. 174, I a III).

Como o PAT funciona junto com a Função Voucher

A empresa se inscreve no PAT no Ministério do Trabalho e Emprego para ter o incentivo fiscal (Decreto 10.854/2021, art. 168) e contrata uma facilitadora registrada no programa. O valor creditado no cartão não é salário, desde que não seja pago em dinheiro.

Três normas sustentam essa natureza:

  • CLT, art. 457, § 2º: o auxílio-alimentação, "vedado seu pagamento em dinheiro", não integra a remuneração e não é base de encargo trabalhista e previdenciário, mesmo pago todo mês.
  • Decreto 10.854/2021, art. 178: no PAT, a parcela em produtos ou em instrumento de pagamento não tem natureza salarial e não é base do FGTS.
  • Lei 6.321/1976, art. 3º: a parcela do programa não entra no salário de contribuição do INSS.

O programa também tem regras sobre quem recebe. Ele dá prioridade aos trabalhadores de baixa renda e se limita aos contratados pela empresa (Lei 6.321/1976, art. 2º). A empresa pode estender o benefício por até 6 meses a quem foi dispensado e por até 5 meses a quem está com o contrato suspenso para qualificação (art. 2º, §§ 2º e 3º).

O que mudou no PAT com o Decreto 12.712/2025?

O Decreto 12.712/2025, publicado no Diário Oficial de 12/11/2025, fixou teto de taxas, prazo de repasse e regras de abertura das redes de cartão. As mudanças miram a relação entre a operadora e o restaurante, mas a empresa que contrata precisa conhecer cada uma.

Taxas com teto

A credenciadora pode cobrar do restaurante ou do mercado no máximo 3,6% de taxa de desconto (MDR) por transação. A emissora pode cobrar da credenciadora no máximo 2% de tarifa de intercâmbio. Outras taxas nessas transações ficam proibidas (Decreto 10.854/2021, art. 182-B). O prazo para as operadoras se ajustarem foi de 90 dias da publicação, o que dá 10/02/2026 (terça-feira).

Repasse em até 15 dias

O restaurante recebe o valor da venda em até 15 dias corridos da transação (art. 182-C), com o mesmo prazo de ajuste de 90 dias.

Redes abertas e interoperabilidade

O arranjo de pagamento que atende mais de 500 mil trabalhadores precisa ser aberto, isto é, aceitar várias emissoras e credenciadoras (art. 174, §§ 1º e 3º). O prazo foi de 180 dias da publicação, o que dá 11/05/2026 (segunda-feira). Todos os arranjos devem garantir a interoperabilidade plena, para compartilhar a rede de estabelecimentos (art. 177), em até 360 dias, o que dá 07/11/2026 (sábado).

Benefícios fora da alimentação proibidos

O decreto proíbe vincular ao PAT vantagens de saúde que não tenham relação com a segurança alimentar, como academia, plano de saúde, estética, cursos ou crédito (Decreto 12.712/2025, art. 3º).

O que a empresa não pode receber da operadora?

A empresa não pode exigir nem receber deságio, desconto sobre o valor contratado, prazo de repasse que tire o caráter pré-pago do benefício ou outras vantagens sem ligação com a alimentação do trabalhador. A regra está na Lei 14.442/2022 (art. 3º), na Lei 6.321/1976 (art. 1º, § 4º) e no Decreto 10.854/2021 (art. 175).

Na prática, isso proíbe a "taxa negativa" ou rebate: a operadora devolver à empresa parte do valor carregado para ganhar o contrato. Programas de cashback no serviço de pagamento de alimentação também são vedados (art. 175-A). Também não vale a facilitadora pagar boletos ou faturas da empresa, nem por programa de pontos (art. 175, § 4º, I).

As consequências são pesadas. A empresa beneficiária que descumpre tem a inscrição no PAT cancelada (art. 175, § 2º). A lei prevê ainda multa de R$ 5.000 a R$ 50.000, em dobro na reincidência ou no embaraço à fiscalização, cancelamento da inscrição e perda do incentivo fiscal (Lei 6.321/1976, art. 3º-A). Contrato fora da regra não pode ser prorrogado (Decreto 10.854/2021, art. 175, § 3º).

Como funciona a portabilidade do vale-refeição?

O trabalhador pode pedir, sem custo, que o saldo e os próximos créditos do VR ou do VA sejam transferidos para uma conta dele em outra instituição, do mesmo produto e da mesma natureza (Decreto 10.854/2021, art. 182, §§ 1º a 3º). Quem pede é o trabalhador, não a empresa.

O pedido é feito na instituição onde a empresa credita o benefício, com os dados da conta de destino (art. 182, § 4º). O trabalhador pode cancelar a portabilidade quando quiser. O cancelamento vale no mês seguinte se o pedido chegar com pelo menos 5 dias úteis antes do crédito; se não, no segundo mês (art. 182, §§ 6º e 7º). Convenção ou acordo coletivo pode tratar da portabilidade (art. 182, § 8º).

Para o RH, a portabilidade não muda a carga: a empresa continua creditando na operadora contratada. O decreto pede que a empresa oriente os empregados sobre o uso correto do cartão (art. 174, § 5º).

Vale-Refeição (VR) vs. Vale-Alimentação (VA): Qual Escolher?

O VR serve para refeições prontas em restaurantes e similares. O VA serve para comprar alimentos em supermercados, mercearias e açougues. Os dois têm as mesmas regras de natureza e de proibição de dinheiro (Decreto 10.854/2021, art. 170, § 1º, e art. 174, I, b).

CritérioVale-refeição (VR)Vale-alimentação (VA)
Onde usaRestaurantes, lanchonetes e similaresSupermercados e comércio de alimentos
Nome no decretoRefeição convênioAlimentação convênio
Para quem costuma servirQuem almoça fora no expedienteQuem cozinha em casa ou leva marmita
Como a empresa costuma calcularValor por dia útilValor fixo por mês
NaturezaNão salarial, se não for pago em dinheiroNão salarial, se não for pago em dinheiro
Fonte: Decreto 10.854/2021, arts. 170 e 174, e CLT, art. 457, § 2º. Consulta em 25/10/2026.

Antes de escolher, leia a convenção coletiva da categoria. Muitas fixam o tipo de benefício, o valor mínimo e o desconto permitido, e a convenção prevalece sobre a política interna quando cria a obrigação.

Quanto custa o VR e quem tem a dedução no imposto de renda?

O custo é o valor carregado menos o desconto do trabalhador. No PAT, o trabalhador paga no máximo 20% do custo direto da refeição (Decreto 9.580/2018, art. 645, § 2º). Não há INSS nem FGTS sobre o benefício pago fora do dinheiro.

Exemplo: VR de R$ 40 por dia útil, 10 pessoas, novembro de 2026

  1. Dias úteis de novembro de 2026: 19 (segunda a sexta, sem os feriados nacionais de 02/11 e 20/11).
  2. Carga por pessoa: R$ 40,00 × 19 = R$ 760,00.
  3. Desconto de 10% do trabalhador: R$ 76,00.
  4. Custo da empresa por pessoa no mês: R$ 760,00 − R$ 76,00 = R$ 684,00.
  5. Time de 10 pessoas: R$ 6.840,00 no mês.
  6. No ano, com 11 meses de VR (1 mês de férias) e o mesmo número de dias: R$ 7.524,00 por pessoa e R$ 75.240,00 para o time.

Conta feita pelo motor da calculadora de custo de benefícios da Benway, em 25/10/2026. O VR de R$ 40 é só um exemplo: use o valor da sua convenção ou da sua política.

A dedução no imposto de renda é para a empresa do lucro real inscrita no PAT. Ela deduz do imposto devido a alíquota do imposto aplicada sobre as despesas de custeio do programa, até 4% do imposto devido no período; o excesso passa para os 2 anos seguintes (Decreto 9.580/2018, arts. 641 e 642). A dedução vale para os trabalhadores que ganham até 5 salários mínimos, R$ 8.105,00 em 2026, e só sobre a parte do benefício de até 1 salário mínimo, R$ 1.621,00 (art. 645, § 1º; Decreto 12.797/2025).

No lucro presumido não há dedução de incentivo fiscal (Decreto 9.580/2018, art. 613). No Simples Nacional, a empresa não pode usar incentivo fiscal (Lei Complementar 123/2006, art. 24). Para essas empresas, a inscrição no PAT não dá desconto no imposto; o que garante que o VR não vire salário é não pagar em dinheiro (CLT, art. 457, § 2º).

Passo a Passo para Implementar a Função Voucher

Siga a ordem abaixo ao contratar ou revisar o VR e o VA. Faça a revisão de novo a cada data-base da categoria.

  • Leia a convenção coletiva: valor mínimo, VR ou VA, desconto e afastados.
  • Se a empresa é do lucro real, avalie com a contabilidade a inscrição no PAT e os limites de 5 e de 1 salário mínimo da dedução.
  • Peça às operadoras o contrato completo e confira: sem deságio, sem rebate, sem cashback e com carga pré-paga.
  • Defina o mesmo valor para todos e o desconto do trabalhador, de no máximo 20% no PAT.
  • Guarde a autorização de desconto assinada pelo empregado antes do primeiro holerite. A CLT só aceita desconto previsto em lei ou em contrato coletivo (art. 462), e o documento assinado evita discussão.
  • Explique ao time como usar o cartão, a portabilidade e o que acontece com o saldo na demissão.
  • Nunca pague o benefício em dinheiro, no Pix ou no holerite.

Fontes e base legal

Conteúdo informativo. Convenções coletivas podem ter regras próprias; em casos específicos, fale com o seu contador.

Perguntas frequentes

O que é função voucher no PAT?

É o nome de mercado para o vale-refeição e o vale-alimentação em cartão ou aplicativo dentro do PAT. No Decreto 10.854/2021, a empresa que faz esse papel é a facilitadora de aquisição de refeições ou gêneros alimentícios, que pode ser emissora ou credenciadora PAT (art. 170, II). O saldo fica numa conta do trabalhador e só paga alimentação.

Posso pagar vale-refeição em dinheiro ou no Pix?

Não, se a empresa quer manter o benefício fora do salário. A CLT só tira da remuneração o auxílio-alimentação quando é vedado o pagamento em dinheiro (art. 457, § 2º). Pago no Pix ou no holerite, o valor vira salário, com INSS, FGTS e reflexos em férias e 13º. No PAT, o pagamento em dinheiro também desvirtua o programa.

A operadora pode dar desconto ou cashback para a empresa?

Não. A Lei 14.442/2022 (art. 3º) e o Decreto 10.854/2021 (arts. 175 e 175-A) proíbem a empresa de exigir ou receber deságio, desconto sobre o valor contratado, prazo que tire o caráter pré-pago e cashback. No PAT, a punição inclui cancelamento da inscrição e multa de R$ 5.000 a R$ 50.000, em dobro na reincidência.

Quanto a empresa pode descontar do vale-refeição?

No PAT, a participação do trabalhador fica limitada a 20% do custo direto da refeição (Decreto 9.580/2018, art. 645, § 2º). Num VR de R$ 760 no mês, o desconto máximo é R$ 152. Fora do PAT, a CLT só aceita desconto previsto em lei ou em contrato coletivo (art. 462).

Empresa do Simples Nacional precisa entrar no PAT?

Não precisa. A inscrição no PAT é voluntária e serve para o incentivo fiscal, que o Simples Nacional não pode usar (Lei Complementar 123/2006, art. 24). O VR ou VA em cartão já fica fora do salário pela CLT, art. 457, § 2º, desde que não seja pago em dinheiro. Confira se a convenção coletiva obriga o benefício.

O que é a portabilidade do vale-refeição?

É o direito do trabalhador de levar o saldo e os próximos créditos do VR ou do VA para uma conta dele em outra instituição, do mesmo produto, sem custo (Decreto 10.854/2021, art. 182). O pedido é do trabalhador. A empresa continua creditando na operadora que contratou, e o trabalhador pode cancelar a portabilidade quando quiser.

Qual o teto da taxa do vale-refeição em 2026?

Pelo Decreto 12.712/2025, a taxa de desconto (MDR) cobrada do restaurante ou do mercado é de no máximo 3,6% por transação, e a tarifa de intercâmbio cobrada da credenciadora é de no máximo 2%. Outras taxas nessas transações são proibidas, e o repasse ao estabelecimento sai em até 15 dias corridos (Decreto 10.854/2021, arts. 182-B e 182-C).

Escrito por

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Conteúdos produzidos pela equipe editorial da Benway, com apoio de inteligência artificial e a partir de fontes oficiais. Escrevemos para profissionais de RH, DP e gestores de pequenas e médias empresas no Brasil.

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